A cada ano o número de turistas que visitam Florianópolis aumenta. Boa parte deles em busca das belezas naturais e da tranquilidade da ilha. Mas 2009 vai entrar para a história da capital catarinense como o ano em que a cidade tornou-se um dos destinos preferidos entre os estrangeiros que procuram lugares paradisíacos para se casar. Principalmente depois que Florianópolis foi destaque do conceituado jornal americano The New York Times como um dos melhores destinos no Brasil para festas.
O casal de médicos americanos Melissa e Leroy escolheu a Ilha de Santa Catarina para celebrar sua união e passar alguns dias da lua-de-mel na badalada praia de Jurerê Internacional. Além da estonteante vista, o casal escolheu Florianópolis também atraído pela economia em tempos de crise. Segundo a cerimonialista responsável pela organização do casamento, chega a ser três vezes mais barato realizar um casamento no Brasil do que nos EUA e na Europa.
E para saber um pouco mais sobre casamentos de estrangeiros, o CaseBem fez uma mini entrevista com o fotógrafo Jared Windmüller que clicou o casamento de Melissa e Leroy.
CaseBem (CB) - Você já fotografou três casamentos de estrangeiros em Florianópolis e tem outros agendados até o final deste primeiro semestre. O que atrai esses casais além da economia e das belezas naturais? Eles comentam com você sobre outros motivos?
Jared Windmüller (JW) - É moda na Europa e nos Estados Unidos casais descolados optarem por realizar seus casamentos de forma original e autêntica em outro país que não sejam o seu. Eles buscam principalmente uma atmosfera descontraída e alegre para suas cerimônias, e desejam compartilhar deste ambiente bem tropical com seus familiares e amigos. O Brasil lá fora é sinônimo de festa, alegria, calor humano e espôntaneidade e é essa experiência que esses casais querem sentir e oferecer aos seus convidados. Há muitos destinos no mundo para este tipo de realização, Bali, Bora Bora, Havaí. Mas é interessante notar que Floríanopolis está ganhando cada vez mais notícias na mídia internacional e, consequentemente, despertando também a curiosidade deste tipo de público que busca um casamento no exterior.
CB - Você morou muitos anos fora do Brasil e passou pelo Japão, China e Europa. O que você percebeu de diferente nos casamentos realizados no exterior?
JW - No Japão os casamentos são tradicionais, na cerimônia eles seguem as tradições do budismo ou xintoísmo, e na recepção vestem trajes típicos ocidentais. As recepções são muito caras e normalmente o pai da noiva contrai um financiamento só para custear o casamento, que pode durar dezenas de anos, por isso os convidados são pouquíssimos e restringidos ao máximo. E um detalhe curioso é que ao encontrarem seus lugares nas mesas, cada convidado encontra um presente que é, na realidade, o presente em retribuição àquele que o próprio convidado ofereceu aos noivos. E claro tudo é cercado de muita cerimônia, característica cultural japonesa. Na China são muito comuns casamentos em restaurantes de hotéis de luxo e os convidados presenteiam com um envelope com dinheiro. Na Europa a preferência é por casamentos ao ar livre, durante o dia, com a luz natural da qual se consegue um resultado maravilhoso, com certeza o sonho de qualquer fotógrafo.
CB - Alguma curiosidade ou algo chamou sua atenção nas cerimônias com casais estrangeiros?
JW - No casamento da Melissa e Leroy, a cerimônia foi realizada pelo reverendo que veio dos Estados Unidos somente para isso, e inclusive, cantou para os noivos e convidados. As madrinhas usavam as mesmas roupas, combinando entre si, assim como os padrinhos. Na recepção o noivo literalmente entrou debaixo do vestido da noiva para tirar de lá duas tiras de cinta liga azuis que, como manda a tradição, o noivo joga para os amigos, assim como a noiva joga o buquê. Na hora do bolo, os noivos jogam pedaços da fatia um no rosto do outro. Os discursos dos pais, irmãos, familiares e de todos querem fazer algum tipo de homenagem e contar alguma particularidade da vida do casal, podem durar até 1h30min. E a festa tem hora certa para acabar, quando chega o carro antigo que vem buscar os noivos, a festa acaba.
CB - Suas fotos seguem a linha do fotojornalismo e expressam a real emoção do momento. Como você consegue chegar a esse resultado?
JW - Quanto à fotografia, tenho recebido muitas visitas de estrangeiros no meu site que bucam um perfil de fotografia mais moderno, arrojado, com bastante ênfase no fotojornalismo, que é uma tendência forte lá fora e que acabam se identificando muito com meu trabalho. Para um excelente resultado, procuro intervir minimamente no acontecimento, sem interferir na maneira como os noivos estão curtindo o seu casamento. Eu deixo os noivos bem à vontade para aproveitar o dia deles, mas estou sempre atento procurando a melhor expressão.
