Atenta à tarefa de embalagem manual das delicadas meadas de linha que a Círculo, de Gaspar, expedia para o mercado brasileiro, Áurea não imaginava como seriam seus próximos 50 anos.
Era 1949, o mundo saía, aliviado, das convulsões da Segunda Guerra, e as promessas vibravam no ar para a Humanidade.
E para a jovem operária também, mesmo ignorando de que lado soprariam os ventos renovadores.
Não imaginava que a pessoa que mudaria seu destino estava perto, quase ao lado, e ela teve a sensibilidade –e sorte!- de reconhecê-la.
Era Osvaldo, mecânico de manutenção da mesma empresa, que tinha 17 anos, como ela.
Casaram-se seis anos depois, pela primeira vez.
A segunda, demoraria mais 50 anos.
Agora, rodeados pela família descendente, o casal festejou Bodas de Ouro.
A comemoração aconteceu dia 29 de janeiro último, em Joinville.
Áurea Catarina e Osvaldo Deschamps entraram na Igreja Nossa Senhora de Fátima naquele sábado pisando em tapete dourado.
Amarelo ouro era a cor dominante na decoração da Igreja, lotada de convidados e outros fiéis que assistiram à missa comemorativa.
Ouro era a gravata de Osvaldo, ouro era a veste de sua esposa, que tem ouro no significado de seu nome.
Tudo era áureo, do quilate que sela uniões metálicas, duradouras, como a dos dois.
Durante a cerimônia, com troca de alianças e tudo, o Padre Fábio Rossi ajudou a temperar a emoção com humor e descontração.
A re-edição dos votos de ajuda mútua, respeito e companheirismo certamente teve um gosto bem diferente, longe das incertezas do longínquo 29 de janeiro de 1955, quando entraram na Igreja de São Pedro Apóstolo, em Gaspar, para abençoar a união pela primeira vez.
Cinqüenta anos passados, eles devem ter sentido o gosto da vitória, da superação das mesquinharias e do que não tem importância em uma vida comum.
Sabem qual o maior patrimônio que os dois dividem, além dos quatro filhos, oito netos e do bisneto Kyle, de apenas dois meses? Exatamente tudo o que viveram juntos nos últimos 50 anos.
E o que ela acha de melhor nele? A bondade.
Não é esta uma virtude maravilhosa, que faz da vida um ato de generosidade contínua? E qual seria a maior qualidade dela, na opinião do marido? O companheirismo.
Simples, não é? Essas virtudes têm que ser muito autênticas, muito reais, para sobreviverem a 50 anos, todos os dias.
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Eles estão agradecidos por se pertenceram porque confiam um no outro e se entregam sem barreiras.
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A festa não foi só na Igreja.
O salão da Sociedade Glória, todo enfeitado nos matizes do ouro e do amarelo da Igreja e do traje dos noivos, acolheu 120 convidados para a recepção.
Um telão mostrava cenas da vida do casal, inclusive uma viagem aos Estados Unidos, que fizeram com mais de 70 anos para visitar uma filha.
Muita música, bom bufê e muitas homenagens ao casal marcaram a recepção.
O CaseBem junta-se à família e aos amigos e brinda à felicidade do casal Trindade-Deschamps.
