A Síndrome do ninho vazio não é uma doença física ou psíquica, não se trata de uma fobia ou de frescura, sequer é um vírus contagioso.
Ela é sim, uma profunda tristeza que algumas mães enfrentam quando os filhos deixam o lar.
A mulher sente-se inútil, já que não precisa mais desenvolver o papel de mãe.
Os dias ficam tristes e a vida parece boba.
Os filhos, que antes solicitavam a mãe a cada cinco minutos, agora não moram mais com os pais.
Foram estudar em outra cidade, arrumaram emprego em outro estado, ou então, casaram-se.
Ana Cristina Gonçalves, psicóloga, explica que a Síndrome do Ninho Vazio é um problema bastante comum, "acontece principalmente com mulheres que não desenvolveram outro papel, senão o de mãe", explica.
É uma fase complicada para as mulheres que passaram vinte e poucos anos de suas vidas dedicando-se exclusivamente aos filhos: quando eles vão embora, elas perdem o chão.
Segundo a psicóloga Ana Cristina, a chegada da menopausa pode agravar o quadro de tristeza.
Isso porque, algumas mulheres têm déficit de estrógeno, que provoca flutuação humor e as torna ainda mais sensíveis.
"Na menopausa ocorre a falência dos ovários, isso significa que a mulher não poderá mais procriar.
Essa fase pode coincidir com a época em que os filhos estão saindo de casa.
Então a mulher se assusta.
Percebe que além de não poder mais ter filhos, está perdendo as suas crias para o mundo".
Enfim sósO ninho ficou vazio, mas a cama não, o marido continua lá, só que aposentado.
A frase "enfim sós" que antes parecia um sonho, agora anuncia turbulências.
O casal terá de reaprender a viver junto e redescobrir os prazeres a dois.
Contudo, o momento que deveria ser encarado como uma possibilidade de reaproximação, pode se transformar numa verdadeira guerra.
"O homem era acostumado a exercer o poder no trabalho, e a mulher em casa.
Quando juntos, começam a brigar, já que os dois querem mandar.
Ele quer assistir TV e ela quer varrer a sala, ele quer martelar a porta e ela quer ouvir rádio", explica Ana, que conclui, "é uma pena quando isso acontece, pois a época de calmaria poderia proporcionar bons momentos juntos".
Para o homem também não é fácil, quando os filhos saem de casa, o pai passa a temer que eles não se cuidem, ou que não tomem cuidados com a segurança.
É mais ou menos por volta dos cinqüenta e poucos anos que o homem se aposenta e enfrenta uma baita crise, ele tem o ganho diminuído e perde o papel de sustentáculo financeiro da família.
E o pior, percebe que já não é mais o ídolo dos filhos.
De agora em diante Já que os filhos foram viver suas próprias vidas, é tempo de desfrutar do mais raro tesouro da modernidade: o tempo livre.
Para Ana Cristina, quanto mais interesses a pessoa criou quando jovem, mais facilidade ela terá para ocupar bem o seu tempo na maturidade.
"Caso contrário, a saída é criar novos interesses, como: atividades artísticas, físicas, intelectuais, sociais ou culturais", explica a psicóloga que leciona em cursos universitários voltados para a maturidade.
Segundo ela, as aulas são animadas e a platéia é formada por 98% de mulheres.
"Eu percebo que elas melhoram o astral e a aparência depois que começam a freqüentar o curso, onde aprendem matérias interessantíssimas e divertidas".
E os homens, onde estão? "Jogando dominó com velhos conhecidos", responde Ana, "ao longo da vida, os homens não são estimulados a este tipo de sociabilidade, quando estão mais velhos, nem sabem como chegar em grupos desconhecidos".
Um toque para os filhosé legalvisitar os pais e levar algo que eles gostem levar os pais para almoços, jantares ou passeiospassar as datas comemorativas juntosfazer os pais entenderem que eles também fazem parte de sua nova famíliaestimular o convívio com sua nova família (sem exagerar pra não criar confusão com o cônjuge) incentivá-los em novas atividades não é legalpedir para a mãe fazer tarefas domésticas para vocêempurrar os pais para atividades que eles não queiram fazerdeixá-los interferir na vida do casalfazer e cair em chantagens sentimentaisficar respondendo questionário maternoSegundo a psicóloga, cabe aos filhos orientarem os pais nessa fase difícil de suas vidas.
E o último toque: não procure a mamãe e ao papai apenas quando eles forem necessários e convenientes.
E lembre-se, "avó e avô foram feitos para mimarem os netinhos, e não para educá-los, eles já estão cansados para isso", conclui.
