Não é sem razões que Pomerode é a cidade mais alemã do Brasil! Casinhas de enxaimel que parecem feitas de chocolate, jardins absolutamente impecáveis nos dois lados de ruas limpas e arborizadas, que correm graciosas num projeto urbanístico original, revelam um povo que ama suas origens.
Lideradas pelo mitológico Dr.
Blumenau, dezenas de famílias deixaram a Pomerânia natal em 1861 e estabeleceram-se nas terras da Colônia Dona Francisca, norte de Santa Catarina.
Aqui, construíram uma bela cidade com a alma da terra-mãe.
Todos os anos, em janeiro, os descendentes dos casais imigrantes promovem a Festa Pomerana, um verdadeiro culto a essas origens coloniais.
A cidade não tem nenhuma dificuldade em montar o cenário para a volta ao passado.
É só abrir os baús e os armários e tudo está lá: chapéus, vestidos, jóias, fotografias, velhas receitas culinárias, utensílios, ferramentas, bens culturais que o inconsciente coletivo guarda como identidade.
Foi nesse “planeta festivo” que aconteceu o casamento de Nancy e Daniel.
Estava na programação oficial do evento, mas não teve nada de ficção e acabou sendo a maior atração da festa desse ano.
Prestigiado por convidados ilustres, como o Governador do Estado, o casal reuniu seus convidados na Igreja Luterana, onde chegou em uma elegante charrete decorada com flores.
Na cerimônia bilingüe, com a igreja lotada também por curiosos, o casal disse duas vezes o “Sim”, uma em português e outra em alemão.
Na saída da igreja, o povo apinhado aplaudiu o casal e os convidados, vestidos como os antepassados no início do século XX.
Todos seguiram em cortejo até o endereço da recepção.
A charrete dos noivos era seguida por outra, carregada de presentes.
Os ingredientes da recepção seguiram à risca o modelo de toda a produção: bufê alemão, canecas do velho e bom chopp de mão em mão, polkas e valsas sem trégua empurravam os convidados para a pista, sempre cheia.
Nada mais tradicionalmente alegre que um casamento pomerano!
