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Coluna Carlos Alberto

Um casamento em praça pública

casamento praça

O Amor...é difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!

Cecília Meirelles

Morretes é uma dessas cidades (en)cantadoras que guardam, em segredos-de-sete-chaves, uma magia (in)contável.

A linguagem científica que se aventurou a descrevê-la em ensaios burocráticos perdeu-se no caminho de sua mística.

Também pudera! Como captar a suntuosidade do Pico do Marumbi senão com os olhos espantados de uma criança frente a um grande mistério?

Como explicitar a outrem a “realidade-mais-que-fato” do Rio Nhundiaquara que deságua nos olhos de quem o vê?

E que dizer daquela gente que, entre os sabores da terra, vive cantando os feitiços da serra perdida na grande mata?

Os artistas Alfred Andersen, Theodoro de Bonna e Langue de Morretes homenagearam este cenário eternizando-o em seus quadros transcendentais.

Vários de meus amigos fandangueiros, vindo de trem pela selva, reverberaram essa "Pindorama" em seus sapateados "tarantílicos”.

Também eu, a meu modo e ainda há pouco, deixei lá , minha contribuição para a história desta aldeia maravilhosa. Celebrei em pleno coreto da praça pública, sob o místico olhar dos morretenses, o casamento de Gibson e Suzana. Ele, um fotógrafo neozelandês enfeitiçado por este chão abençoado por Deus. Ela, uma designer, fascinada pelas cores da natureza. Ambos apaixonados por Morretes. Ambos abençoados pelos prazeres que velejam nos ventos, pelos fluídos que moram na floresta e pelo encantamento que nos faz apaixonados pela arte de viver. Algumas de minhas palavras faladas e cantadas:

Para vocês invoco os prazeres que voam nos ventos

E as alegrias que moram nas cores:

Beleza, harmonia, encantamento,

Magia, mistério, poesia;

Que essas potências divinas lhes façam companhia...

Que o sorriso de um para o outro seja: festa, fartura, mel...

Que as palavras sejam vestido transparente de alegria,

a ser despido por sutil encantamento

E que no final das contas, e no começo dos contos

Em nome do nome sagrado, do pão partido e do vinho bebido

Sejam felizes os dois, hoje, amanhã e depois...

Ao final da cerimônia, subi a serra de volta pra casa. Não pude, portanto, ver a banda tocar, mas fiquei sabendo, por um padrinho, que os noivos rodaram a cidade, a noite toda, com aquela gente bonita caminhando e cantando "coisas de amor”.

REVERENDO CARLOS ALBERTO RODRIGUES ALVES

JUIZ DE PAZ, CELEBRANTE, EDUCADOR

Crédito da imagem: Reprodução

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Carlos Alberto Formado em Teologia, Filosofia e Pedagogia com mestrado na área da Educação. É Conselheiro no Conselho Estadual de Educação do Paraná, Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Juiz de Paz e leciona no Curso de Medicina da Faculdade Evangélica do Paraná. Juiz de Paz/ Matrícula 10678 pelo Tribunal de Justiça do Paraná.

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